Fantasiado na cara de pau

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Depois do Bloco da Preta, Dani e eu que não nascemos ontem (que alegria) fomos caminhando até o Metrô da Glória para aumentarem nossas chances de irmos sentadas para casa. É, lembram, né?! “Manual do Trintão”. Não há pernas que resistam folia da Uruguaiana a Cinelândia e ainda mais várias estações de Metrô sem ar condicionado, porque sim, isto está cada dia mais normal, em pé no vagão.

Deu certo, claro. Somos mulheres modernas e espertas – Beijo no ombro, a la Valéria Bandida.

No entanto, Dani ficou em uma extremidade do vagão e eu, na outra. Tudo bem. Fomos conversando via celular. Chato ser moderna.  Quando passamos pela estação Cinelândia, justamente onde estava a dispersão da fuzarca, aquela visão do inferno:

Gente que não acaba mais se acotovelando para entrar no vagão. Tive ali um start de qualquer coisa entre crise de riso e Síndrome do Pânico. Juro. Imaginem todo aquele movimento que vemos na semana, mas geral alcoolizado. Visão from hell que gera medo no intestino.

Divulgação G1

Ao meu lado, havia um rapaz de roupa social e uma mala, sim, dessas de viagem. Podia jurar que vinha do trabalho, ou sei lá, de qualquer lugar que não um bloco. Não tinha ares de folião. Estava até meio cochilando, quando sentei ao seu lado, algumas estações antes. Quando aquele bandmalucos entraram veio junto um senhor, de bigodes e um latão da Boa na mão. Ele não se apertou:

– Atenção, gente, sou idoso. Vamos dando lugar ae.

O rapaz educadamente se levantou dando espaço ao abusado. Tudo bem, o rapaz da mala saltou duas estações depois o que não diminuiu minha raiva. Eu teria ido até a Pavuna (estação final) só pra deixar o abusado de pé.

Mas o “idoso”, então, se acomodou do meu lado. Senti que ficou meio sem jeito pelo rapaz ter concordado prontamente em dar o lugar, e foi tratando de ir arrumando uma desculpa:

– Ainda bem que o rapaz tem cidadania, sabe que eu tenho o direito, pq eu sou idoso mesmo e blablabla

Como se desse pra justificar a atitude. Não ao meu estômago revirado.

– Olha, meu senhor, o rapaz levantou sorte a sua. Primeiro que o seu cansaço provém da folia, não dos anos que lhe pesam. Aliás, o senhor tem mais cara de tio que de avô. O menino estava com uma mala, possivelmente cansado de trabalhar, já o senhor está com essa lata suuuuuper pesada, né?! De toda forma, sim, é seu direito, mas o Metrô reserva aos idosos os bancos de cor laranja, esse é o banco de cor verde. Ele tem cidadania, sim, já ao senhor falta senso. E com licença, não quero assunto…

Ah, pára! O espírito natalino já foi, né gente?! Hoje eu estou é toda trabalhada na bandidagem carnavalesca

Segue cenas do próximo capítulo…

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Fernanda Freitas

Carioca da Gema, nascida no Estácio, criada no subúrbio. Aquariana. Portadora de inquietude criativa. Organização para o trabalho. Desorganização no armário. Língua afiada. Ama tecnologia. Detesta futebol. Mulher em seus múltiplos segmentos: mãe, filha, irmã, apaixonada, jornalista, produtora, assessora, blogueira, guerreira, mas cuidado: Sou um docinho até que azedo!

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One comment

  1. Um diazinho só de folia e a gente já tem um mundo de historias pra contar. Na boa, amiga, tô com medo das nossas histórias de carnaval! 4 dias divididos em aprox. 55.975.000 posts. hauhaha

    Te falar! Se sou eu, não levanto. Mas não meeesmo! Ele que se ferrasse até a Pavuna. Sim, porque eu tb sou dessas. hahaha

    Ou isso, ou diria na lata: “A sua lata de cerveja gelada pelo meu lugar”.

    Beijo, me liga! haha

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